terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

América

Sou a língua que falo.
Sou substantivo abstrato.
Sou sujeito composto
por inúmeras incoerências verbais.
Sou adjetivo pátrio
de uma pátria que não existe.
Sou o verbo mais irregular
que a boca humana já proferiu.
Ser latino-americano
é ser complexo tanto na língua
quanto na existência.
A América do Sul é um pandemônio lexical
belíssimo!

Um comentário:

simone santana disse...

Ser latino americano é ser assim mesmo, indefinido, múltiplo. Por isso é tão bom. Ter em si tanto sonho, tanto sangue colorido, tanta poesia. Lembrei-me da música "Língua", de Caetano. Cada vez que passo por aqui aumenta meu gosto pela sua poesia. Sintética, enxuta, rica! Gosto muito de lê-las.

Beijo!!!